Mosca das Frutas

 


 

    


O termo Mosca-das-frutas é a designação comum a diversas espécies de moscas da família Tephritidae, cujas larvas atacam a polpa dos frutos de diversas culturas, tendo grande importância enquanto praga.

Algumas espécies

 

  • Rhagoletis, Na América do norte predominam as espécies deste gênero, são moscas pretas com manchas pretas nas asas. Nas Américas do Sul e Central ocorrem as moscas Anastrepha, de coloração amarelada e manchas amarelas sombreadas nas asas. Na Europa e na África são comuns as espécies de Ceratitis, características pelo tórax preto e abdome amarelo e asas com manchas diversas. Na Ásia meridional, Austrália e Oceania as espécies de Bactrocera (=Dacus) predominam. São moscas marrom-claro, com poucas manchas nas asas.

 

 

  

 

Dípteros nocivos – Mosca das frutas – Americana

 

 

DESCRIÇÃO

Os dípteros pragas da fruticultura de clima temperado ocorrem apenas numa família, Tephritidae, porém são altamente prejudiciais. São as moscas-das-frutas, com espécies nocivas em todos os continentes.

As moscas-das-frutas são as principais pragas dos frutos de fruteiras de clima temperado cultivadas no Brasil. Das 193 espécies de Anastrepha descritas para a região Neotropical, cerca de 94 ocorrem no território brasileiro e destas, cerca de 17 são encontradas com maior freqüência no Sul do País. A. fraterculus é a espécie de maior distribuição e abundância de indivíduos nas regiões produtoras, representando normalmente mais de 90% dos indivíduos capturados em frascos caça-mosca.

Os ovos são postos no interior dos frutos, em cavidades abertas pela fêmea através de seu robusto ovipositor. São fusiformes, levemente curvados e de coloração branca. Medem cerca de 1,0 mm de comprimento e são postos em grupos de até 9 ovos, embora prevaleçam posturas com poucos ovos (1 a 3) por cavidade.

As larvas são vermiformes, ápodas, sem cápsula cefálica definida e de coloração branco-amarelada. No seu completo desenvolvimento atingem de 8,0 a 10 mm de comprimento e abandonam os frutos para se transformarem em pupa no solo (figura abaixo). Diferem das lagartas de Lepidoptera como a grafolita, que também ataca os frutos, pois estas últimas apresentam cabeça, pernas torácicas e pseudópodes bem definidos.

 

Ovos de mosca-das-frutas

Pupas de mosca-das-frutas

  

 

RECONHECIMENTO DOS DANOS

As moscas-das-frutas ovipositam nos frutos perfurando a epiderme com o ovipositor, e muitas posturas podem ser feitas em um único fruto. A mosca-das-frutas pode fazer puncturas de "prova", não ovipositando se as condições do fruto não forem adequadas. As perfurações são imperceptíveis no início, mas logo as células dos tecidos danificados morrem, e uma zona de aproximadamente 0,5mm de diâmetro fica escurecida. Em frutos verdes de maçã, o crescimento do tecido circunvizinho à postura, origina depressões que deixam o fruto deformado (figura ao lado). Em frutos que já completaram seu desenvolvimento estes sintomas de deformação não aparecem.

Frutos de maçã deformados devido a oviposições da mosca-das-frutas

As larvas se alimentam da polpa dos frutos, inicialmente em galerias, depois numa área única, que se decompõe e apodrece, depreciando ou inutilizando o produto, tanto para comercialização como para consumo. Quando as condições da polpa são propícias para o desenvolvimento das larvas, o dano se dá logo abaixo do local de postura. Quando isto não ocorre, as larvas tendem a percorrer a polpa, abrindo galerias em busca de locais mais adequados para alimentação.

Em frutos de quivi o deslocamento das larvas na polpa provoca uma reação de fibrose, fazendo com que a polpa fique dura e aderida à casca (figura abaixo). Já nos frutos verdes de maçã, as larvas causam manchas de cortiça, abrem algumas galerias, porém não completam seu desenvolvimento. Frutos atacados por mosca-das-frutas amadurecem precocemente e caem ao solo, ou então apodrecem pela ação de fungos que penetram pelos orifícios de postura. O prejuízo pode ser total, principalmente nos pontos de entrada da praga nos pomares (beiradas de mata, capoeira ou outros repositórios naturais da praga).

                              

 

 

Pêssego

Maçã

Quivi

Bago de uva


O ataque aos frutos de pessegueiro, ameixeira, nectarina e cerejeira pode se dar a partir do endurecimento do caroço até a maturação. Em quivizeiro o ataque não tem sido freqüente e em geral só ocorre a partir de fevereiro. Frutos de caqui e nêspera normalmente só são infestados depois de amadurecidos nas plantas. Em uva de mesa o ataque pode se iniciar a partir da troca de cor das bagas ("veraison").